e agora meus senhores?

Não sei o que considere mais grave.

Se os acontecimentos da passada sexta-feira, dia 3, ou todas as reações que tem vindo a ser tornadas públicas por parte de Autarcas ou Deputados na Assembleia da República.

Pessoalmente, considero que atingimos o ponto mais baixo na tragicomédia das ligações ferroviários, Lisboa – Casa Branca – Beja e vice versa.

É absolutamente revoltante ter conhecimento do ponto que a chegámos e assistir à passividade geral, seja das Autarquias, dos Deputados, das restantes Instituições e da Comunicação Social local.

O Presidente da Câmara de Beja, veio a público no seu perfil condenar a atitude da CP e dias depois ficámos a saber que a avaria do comboio abriu portas a uma reunião entre a Câmara Municipal de Beja e a CP.
Por sua vez, o Deputado do PS Pedro do Carmo, enviou uma carta à CP com conhecimento ao Ministro do Planeamento e Infra-estruturas a demonstrar o seu descontentamento.
Já o PCP denuncia a situação insustentável da ferrovia e o seu Deputado João Dias, afirma que quando ocorrer uma audição no Parlamento ao Ministro do Planeamento e das Infra-estruturas e ao Presidente da CP, irá exigir respostas sobre a Linha do Alentejo.
Quanto à comunicação social local, só 4 dias depois dos acontecimentos é achou oportuno divulgar notícias sobre o ocorrido.
Passado uma semana após o grave incidente, da Deputada do PSD eleita por Beja, Nilza de Sena, não se conhece qualquer opinião ou posição apesar de ter sido identificada nas publicações do jovem que partilhou alguns dos momentos de aflição.

Este é o inenarrável quadro geral!

No geral todos consideram a realidade condenável, inaceitável e intolerável, mas ninguém toma qualquer acção concreta com a finalidade de ultrapassar os problemas.

É verdade que a CP, como empresa pública tem responsabilidades acrescidas no transporte de passageiros e não pode de forma alguma ser negligente quando acontece uma avaria como a que aconteceu no passado dia 3 de agosto, não cooperando com os Bombeiros e/ou GNR, colocando a saúde e a vida dos seus passageiros em risco, deixando estes últimos entregues à sua sorte e sem qualquer tipo de explicações ou pedido de desculpas. Também não é menos verdade que a CP não pode continuar a divulgar e vender bilhetes de Intercidades, pelo valor de Intercidades, quando as viagens são realizadas em comboios equiparados a regionais e em composições com mais de 50 anos e com maior risco de avarias.

Há um conjunto alargado de situações das quais as Autarquias se podiam valer para mover processos contra a CP na Justiça. No entanto o caminho escolhido é o da passividade. Pedidos de reunião, cartas e pedidos de esclarecimento.

Na realidade, a culpa não diz respeito apenas à CP. Sendo a CP uma empresa pública, depende do Orçamento de Estado e durante a presente semana foi noticiado através do Jornal de Notícias que a CP só gastou um décimo do que tem para investimentos, devido a cativações impostas pelo Ministério das Finanças.

Deixo-vos ainda a reportagem sobre as Cativações na CP e sobre a Degradação do serviço na linha do Alentejo, que foi transmitida no Telejornal da RTP de 5ª feira dia 9, para que possam tirar as vossas próprias conclusões.

e agora meus senhores?

Autor(a): Luís Palminha

Humanista, Criativo, apaixonado pela 7ª Arte, Fotografia e Arquitectura, é também entusiasta das IT’s. Durante a Licenciatura em Arquitectura de Gestão Urbanística, encontrou nas Cidades e no Território, um novo ímpeto guiado pelo constante desafio de mudanças de paradigmas.
(De momento encontra-se a concluir a Tese de Mestrado em Urbanismo)

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