A crítica (ou a falta de)

crí·ti·ca
(feminino de crítico)

substantivo feminino

  1. Análise, feita com maior ou menor profundidade, de qualquer produção intelectual (de natureza artística, científica, literária, etc.). = APRECIAÇÃO
  2. Capacidade de julgar.
  3. [Figurado] Opinião desfavorável. = CENSURA, CONDENAÇÃO

crí·ti·co
(latim criticus, -a, -um)

adjectivo e substantivo masculino

  1. Que ou quem critica, analisa. = CRITICADOR

adjectivo

  1. Da crítica ou a ela relativo.
  2. Propenso à crítica, à censura.
  3. Em que há crise ou a revela.
  4. Difícil de suportar. = PENOSO
  5. Em que se está exposto a perigo. = ARRISCADO, PERIGOSO
  6. Que é muito importante. = DECISIVO

substantivo masculino

  1. Pessoa que tem por profissão a apreciação de obras ou eventos, sobretudo culturais.

“crítica”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Beja não está habituada à crítica. Quem tece a crítica raramente vai para além do argumento básico e na maior parte das vezes aquilo que julga ser uma crítica, não passa de um insulto ou provocação travestida.

Se A toma a opção Z, todos os apoiantes de A saem à rua (e às redes sociais) para defenderem e propagandear, não só a opção Z como toda e qualquer opção de A.

Seja esta boa, seja má, ai de quem ouse pensar pela sua própria cabeça e realizar aquilo que entende ser uma ação normal de qualquer indivíduo minimamente esclarecido – o exercício da sua própria capacidade racional!

Mas em Beja não! Em Beja, a norma dita que este exercício está reservado a um conjunto reduzido de iluminados – uma espécie de elite, que posteriormente lidera a sua prole, ao bom espírito das claques de futebol.
Esta forma de estar, tem vindo a revelar-se uma excelente forma de manter afastados da intervenção política/cívica, alguns cidadãos de enorme valor. Afastados estes, o poder mantêm-se intocado.

Em Maio do presente ano, tive oportunidade de ler no Diário do Alentejo, um artigo de opinião do Professor Hugo Lança, que me impressionou, não só pela habilidade intelectual, como também pela forma como abordou esta questão.

Partilho convosco este excerto dessa peça:

“A questão é mesmo se os bejenses merecem mais ou se têm exatamente aquilo que merecem…
Os que ficámos, somos poucos. Deixámos fugir os melhores, vivemos fechados nas nossas trivialidades e temos na nossa essência esse gosto pela autoflagelação que nos leva a condenar todos aqueles que ainda ousam erguer a sua voz acima da mediocridade reinante. É aquele velho aforisma: se em terra de cegos quem tem um olho é rei, a minha missão na vida vai ser cegar todos os outros, para ser um pequeno príncipe no reino da mediocridade…”

*A imagem é uma obra do mestre Caravaggio – “Os Trapaceiros”

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